décimo terceiro ato

era um domingo, querida,
sua carta havia chegado
há alguns dias e chovia
não lembro a que horas
me sentei para ler teus
choros e lamentações

àquela hora eu ainda te amava
e rasgava papel em pequenos
pedaços pelo chão da sala
deixei algumas letras soltas
afim de me lembrar sentidos

à tarde o amor já acabara
e eu já não pisava ao chão
as coisas já todas tomadas
do meu desespero da sua solidão

ficou isso de te chamar de querida
e seu sorriso desencontrado de ontem
além de todas as horas reunidas

esperando o tempo e o passo largo
ao mais breve distante ato

de restar palavras estremecidas

v.abreu

0 sem o que fazer: