era um domingo, querida,
sua carta havia chegado
há alguns dias e chovia
não lembro a que horas
me sentei para ler teus
choros e lamentações
àquela hora eu ainda te amava
e rasgava papel em pequenos
pedaços pelo chão da sala
deixei algumas letras soltas
afim de me lembrar sentidos
à tarde o amor já acabara
e eu já não pisava ao chão
as coisas já todas tomadas
do meu desespero da sua solidão
ficou isso de te chamar de querida
e seu sorriso desencontrado de ontem
além de todas as horas reunidas
esperando o tempo e o passo largo
ao mais breve distante ato
de restar palavras estremecidas
v.abreu
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