o amor que tinha guardado
vai-se embora
tal qual pensamento, ideia, abraços
foge pelo ralo
corre em busca de tempo
tenho dois dias e uma hora
para me ver colado
ante ao espelho
respondendo perguntas
todas existenciais
deixar claro que não vai dar certo
que o mundo acaba numa sexta
enquanto sai para não dormir
deixar as coisas entre portas
que logo mais vão embora
sem se despedir
há uma carta na terceira gaveta
antiga em suas letras
que nada me diz
e entoava perfumes e lembranças
que sufocam e permanecem, sufocam e permanecem,
mesmo sufocadas e permanentes
quanto ao amor, bem,
se o é, atravessa ruas
sem olhar os sinais, os carros, as mulheres,
e vai a outras cidades
e desaba em oceanos
v.abreu
0 sem o que fazer:
Postar um comentário