não há olhos
só seus lábios
pintam o desespero
há uma desgraça
entalada
ninguém pode gritar
seu sono remoto
eu te amo baixo
me escondo em defeitos
posso até me engordar
tirar os cabelos
nunca deitar
sempre ir embora
nunca te olhar
sempre passar
nunca falar
há um cinismo
nos meus atos
em cada palavra
o dia já foi
o amor não veio
a felicidade inexiste
o dinheiro não há
a vida é longa
o colchão raso
v.abreu
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