bloco de notas

sou poeta marginal
minhas poesias vão de ônibus
carregam cartazes, quebram coisas
embora não tenha voz,
elas gritam suburbano

os versos são periféricos
aguardam nos terminais
esperam os atrasos
saem lotados
perdem as horas

chego sempre cansado
perco meus pés no asfalto
sou achincalhado
não rimo, verseio
vejo coisas úteis nos pontos finais

V.Abreu

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