vazios urbanos

são labirintos de ventos
nossas palavras
a entrecortar janelas e casas vazias
quem lá moraria?

achar nossas frases
e perder nossos pontos
que gritamos do quarto
até o coração

há uma tarde vazia em cada um de nós
que nos espera chegar para alguma coisa acontecer
antes que o tempo acabe
que a noite chegue
que os muros se fechem
ou se encham de pássaros

as pessoas tão longe
os lares tão vazios
as horas tão distantes
o relógio perdido no ponto
as compras a pagar

vamos todos morrer de lugares
que não se enchem de nós
de espaços a terminar
com nossas histórias
que ninguém vai morar

v.abreu

Nenhum comentário: